Apesar disso é preciso partir.... Mas nem todos têm a coragem
de ir e continuam atracados ao cais, julgando-se incapazes de navegar
sozinhos. Algumas pessoas são obrigadas a zarpar, já que
os encargos de segurança do porto tornam-se pesados demais e, às
vezes, perdem um tempo precioso da viagem revoltadas e lamentando-se por
tudo isso.... mas nem todo mundo é assim....
Alguns, mal o dia amanhece, já partiram. Parecem muito ocupados
e logo somem no horizonte. Desde cedo sabem o que querem e têm pressa
de viver. Outros navios também saem logo que podem, mas ficam dando
voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Acabam navegando só
para comprar mais combustível todo dia, e o que ganham, mal dá
para a reforma do casco...
Os maiores desperdiçadores de seus próprios recursos são
aqueles que não sabem o que querem... e o pior é que, quando
a gente não sabe direito o que espera do rumo que está tomando
ou, nem se tem um rumo, não pode corrigir a rota se estiver no
caminho errado... nós somos os maiores responsáveis pelas
tempestades que não conseguimos evitar.
Já outras pessoas deixam de navegar milhares de milhas para se
conformarem com umas poucas centenas, porque tem medo de atrair ventos
contrários ou então querem agradar ou impressionar alguém....
a gente não deve aceitar isso, pois significa concordar em ser
menos do que se pode ser. Todo dia é dia de evolução
e aprendizado, e, como a lua cheia, quando paramos de crescer, começamos
a diminuir.
Então a primeira coisa a fazer é tornar-se comandante de
si próprio e isso equivale a pensar com a própria cabeça,
ser timão e timoneiro, assumindo riscos pelos erros, pois só
erram os que tem a coragem para ousar e, se caírem, levantar e
tentar de novo-sempre... pois ninguém sabe nossa autonomia no mar,
nossa capacidade de carga, ou a que velocidade podemos singrar as águas
dos oceanos, sejam azuis ou escuras.
Ninguém nos conhece melhor que nós mesmos e, por mais que
digam o que temos - ou não temos - que fazer, ninguém pode
viver a vida no nosso lugar. Outras pessoas, ainda, vivem frustradas e
infelizes porque não conseguem ter as mesmas coisas que viram em
outro navio. Algumas também vivem furiosas quando alguma coisa
ou alguém não age ou sai como gostariam. O amor a si próprio
e ao próximo é um exercício diário para saber
a diferença entre o que precisa ser mudado e o que devemos aceitar
como é.
Muita gente tem preferido impor suas idéias e opiniões em
vez de escutar o outro; ficar revoltada com o mundo, em vez de admirar
a vida, pois não sabem o que é amar. E tem viajantes que
pensam no amor como algo a ser obtido, como se fosse um objeto e não
como uma arte que precisa ser aprendida. Alguns acabam confundindo o amor,
Deus ou a felicidade com o significado de suas rotas, e vivem frustradas
navegando atrás do que não conseguem alcançar - e
até desistem no meio do caminho, desalentados, achando que a vida
não vale a pena, que Deus não existe e felicidade e amor
são balelas... mas Deus, felicidade, amor, bondade não são
lugares ou coisas que possam ser possuídos.
A primeira coisa a fazer para quem quer encontrar estes bens é
não procurar! Quando procuramos o que não é um lugar
ou objeto, e que muito menos está escondido, quem fica perdido
somos nós mesmos. Mas quando não procuramos, porque não
pode ser encontrado fora de nós, descobrimos que o que tanto queremos
- Deus, felicidade, paz - habita camarotes no coração do
nosso próprio navio... e tem pessoas tão preocupadas em
procurar do lado de fora que até se esquecem de olhar por dentro!...
Não existe navio que não tem passado por tempestades e muitos
afundam por não saberem evitá-las, por falta de comunicação
ou por acharem que não precisam dos outros. Somos fortes quando
unidos. Juntos somos tão grandes e poderosos quanto a onda mais
forte e ameaçadora. Perdoar as falhas e limitações
de nossos semelhantes é muito mais que amor ou virtude - é
questão de inteligência e sobrevivência... pois a única
coisa que possuímos de verdade é a necessidade do outro.
Mas não existe tempestades que durem para sempre, assim como os
dias de sol também não são permanentes. Dor e frustrações
muitas vezes são resultado de querermos perpetuar momentos de prazer,
bem-estar, alegria, que por si só são efêmeros e com
que facilidade esquecemos que nada é eterno - a não ser
o próprio movimento - e que, por isso, momentos de alegria se alternam
com momentos de tristeza, dor se alterna com prazer, fome com saciedade,
doença com saúde - um sempre dando lugar ao outro.
Quando a gente pára de tentar lutar contra isso e se abandona nesse
jogo delicioso da vida, descobrimos que, acima de tudo, a vida vale a
pena ser vivida intensamente.
Autor e fonte desconhecidos
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